Assim, assado.

E aqui continuo com esta minha estranha forma de lidar
com as coisas, com os meus imprevisíveis estados da
alma e com essa eterna sede de algumas muitas coisas,
muitas delas ainda não reveladas a minha consciência.

Precisamos sempre imaginar, ao menos, que temos o
controle de tudo que nos cerca e habita...
Conformamo-nos com essa ilusão cientes de ser esta uma
ilusão. Às vezes me acho completamente louca e acho as
pessoas piradíssimas também.

Criamos cada coisa e acreditamos nela... é aquilo que
o Morin chama de noologia, creio eu!... As coisas que
criamos criam uma espécie de vida e passamos a
obedecer essa lógica pseudo-exterior a nós mesmos!

Aff! Estou cansada de criar e me assustar com as
minhas construções fantasmagóricas e de ver as pessoas
nesta lógica também.

Interessante é que não precisava passar por tudo
isso... o destino(ou o que quer que seja) me colocou
numa cidade minúscula com quase oitenta por cento da
população analfabeta ou funcionalmente analfabeta...
Ninguém lá fica perscrutando o universo ou
sheakespereanamente tentanto ser ou não ser... As
pessoas lá, simplesmente, são.

Tinha que ser eu a que não sou!... Abstrações,
abstrações, abstrações e um mar de memes a condenarem
a minha mente a ausência total de sossego... Bernardo
Soares e eu, na minha terra esquecida, a tentar abarcar
o sentido do universo, que nem dez mil anos de
história conseguiu desvendar.

Vou assistir a novela.



Escrito por dEsiLuSãO às 18h18
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Navegar é preciso

Às vezes parecemos caminhar para frente, quando em
verdade caminhamos em circulos ou mesmo estamos a
retroceder. Outras vezes parecemos estar em
retrocesso, quando em verdade estamos sendo
impulsionados, a contragosto, para uma jornada que,
apenas e tão somente, nos é desconhecida.

Como saber, então, se estamos indo, voltando?!... Se
estamos estagnados, apáticos, em círculos?!...
Inebriados sempre por questões que supomos prementes,
dificilmente temos consciência daquilo que leva aos
diversos lugares à nossa alma: os nossos passos!

Analisar as tripas de algum animal só daria fim a vida
deste, sem resolver a nossa!... Os oráculos
pós-modernos custam caro!... Um GPS existencial nos é
impossível, ainda!... É, fica a boa e velha(assim como
muitas vezes falha) intuição.

Intuição dos antigos argonautas em sua odisséia... Dos
portugueses em sua empreitada para além mar, com os
mesmos monstros, mar revolto, tempestades... elementos
reais ou da nossa verve de viajantes encantados com o
mistério deste percurso que, como diria o poeta
Pessoa, começa num porto que desconhecemos para um
porto que ignoramos.

("É a vida, é bonita e é bonita!")

Içar as velas. Hora de partir. "Navegar é preciso,
viver não é preciso", mesmo que não se saiba pra onde.



Escrito por dEsiLuSãO às 08h22
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Quando o amor vacila

Eu sei que atrás deste universo de aparências
Das diferenças todas
A esperança é preservada

Nas xícaras sujas de ontem
O café de cada manhã é servido

Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir
E dela não me conformo

Eu acredito em tudo
Mas eu quero você agora

Eu te amo pelas tuas faltas
Pelo teu corpo marcado
Pelas tuas cicatrizes
Pelas tuas loucuras todas,
Minha vida

Eu amo as tuas mãos
Mesmo que por causa delas
Eu não saiba o que fazer das minhas

Amo o teu jogo triste
As tuas roupas sujas,
é aqui em casa que eu lavo
Eu amo a tua alegria
Mesmo fora de si
Eu te amo pela tua essência
Até pelo que você podia ter sido
Se a maré das circunstâncias
Não tivesse te banhado
Nas águas do equívoco

Eu te amo nas horas infernais
E na vida sem tempo
Quando sozinha bordo mais uma toalha de fim de semana

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas
Te amo pelas tuas ilusões perdidas
E pelos teus sonhos inúteis
Amo o teu sistema de vida e morte
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa

Eu te amo de alma pra alma
E mais que as palavras
Ainda que seja através delas que eu me defendo
Quando eu digo que te amo
Mais que o silêncio dos momentos difíceis
Quando o próprio amor
Vacila



Escrito por dEsiLuSãO às 10h21
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Se eu disser que não existe o medo até as pedras do
caminho rirão da minha cara, logo, estou com medo.

O bom senso já diz que se deve tirar lições de alguns
erros e se insitimos é por nossa conta e risco. É mais fácil não ir.

Não sei ao certo o que me leva a contrariar a lógica,
talvez uma espécie de intuição, ou mesmo a negação de
alguma outra espécie de intuição...

Deveras o que restou foi um punhado de incertezas, mas
um vazio também! Parece, no entanto, que a necessidade de preenchimento
superou a necessidade de afastamento por cuidado. Cuidado comigo.

Sei que é minha última aposta. Será que o amor vale a pena?
Não sei... Tô pagando alto pra ver.



Escrito por dEsiLuSãO às 06h31
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"Mudou de cara e cabelos,
mudou de olhos e riso
mudou de casa e de tempo"



Escrito por dEsiLuSãO às 16h47
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Soslaio

Olhar nos olhos. Fuga. Cobrança. Tentativa. Minhas
tripas sendo vasculhadas. Desejam saber. Frio no
estômago. Olhos para o nada. Calmaria.

Mas...

Já é possível olhar. Ainda há fuga, mas há ousadia e
uma dose de serenidade. Vampiros não gostam de
serenidade. Pessoas também não.

Vale dizer...

Não havia medo pelo que podia ser revelado. Medo havia
pelo que podia ser levado, tocado, quebrado,
arranhado, roubado... Pessoas são desastradas e às
vezes possuem intenções duvidosas. Não sabia que era
assim. Hoje sei.

Não obstante...

Ora oferto meus olhos.
Podem entrar, o que não estiver quebrado, arranhado,
tocado, foi levado ou roubado. Sinta-se à vontade.
Desculpa a bagunça.

Apenas.



Escrito por dEsiLuSãO às 01h47
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Incompletude

Cansada. Fisicamente cansada. Que chegue o ano novo
com o milagre da renovação e injete uma dose cavalar
de energia e esperança nestas fatigadas veias.

Ontem me permiti experimentar mais uma vez o gosto das
diversões superficiais e fugazes que, definitivamente,
não fazem parte de mim!... A luz estreboscópica,
mesmo sem fotobia, me incomoda, me inquieta, me apaga.

Bom mesmo é ter e estar entre amigos, se sentir
querida e rir por nada,  revelendo o êxtase de não se
estar só, sobretudo quando se está incompleto.




Escrito por dEsiLuSãO às 20h28
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Lorin Maazel                                       

Algumas pancadinhas fazem o aparelho funcionar melhor.

Coisas estranhas aqui dentro.

Os olhos vêem coisas que antes não alcançavam. Buscam
coisas que antes não buscavam. Compreendem coisas que
antes não compreendiam.

O tempo nos faz maestro de sentidos, dos nossos
próprios sentidos. A cada dia que passa uma nova
aprendizagem e a orquestração vai ficando perfeita,
mesmo com nossos parcos instrumentos de percepção.

A performance prescinde dos gestuais bruscos e
caricatos.O conhecimento de cada elemento te dá
segurança. Movimentos leves. O detalhe se
sobrepõe ao apoteótico e os resultados são
impressionantes.

Lorin Maazel regendo Beethoven e não Mozart.

Mais êxtase frente aos mistérios da existência e uma
incrível capacidade de compreender as pessoas
dentro das suas imperfeições, parcialidades e medos,
de crianças mutiladas, que são.







Escrito por dEsiLuSãO às 16h39
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 É chegado o momento da partida.

Vou. Vôo...



Escrito por dEsiLuSãO às 14h31
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Este lado para Cima

A vida é um desses folhetins que roubam o horário
nobre da tv brasileira, sem no entanto incorrer na
obviedade de finais felizes "amplos, gerais e
irrestritos", aliás, como clamava a anistia pós-64
que, por ter acontecido justamente no folhetim da vida
real, não veio com esse "final feliz"...

 Mas falávamos
sobre fragilidade, não?! Acredite, falávamos sobre
fragilidade...

Sabe essa palavra que habita os recônditos da alma
humana e faz com que tenhamos esse ou aquele
comportamento, que para os outros pode e parece tantas
coisas, te faz incógnita, mas que você sabe ser apenas
e tão somente fruto dessa incapacidade de lidar com
determinadas coisas?!

Pois é...

"Somos sempre incógnitas das nossas próprias soluções"
e réfens dos desejos e medos que afligem a alma
humana... Creio que com essa poderia até figurar num
rodapé de agenda.



Escrito por dEsiLuSãO às 21h51
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Para Quedas

Acreditei não precisar de armas
Nem mesmo de armaduras
Que seria totalmente seguro
Se em queda livre
Desse o Mergulho
Pois lá no fundo
Estaria você

Me lancei nua 
Peito aberto
Em queda livre
Como que voando
Como que sonhando

As sensações foram tantas
De tamanha intensidade
Que chegava
Não importar a paisagem
Que não fosse seus olhos
Você

Enquanto caía
Sonhando voar
A minha imagem iá
Cada vez mais
Se confundindo contigo

E era tudo tão doce
Eu lhe digo
Que mesmo depois de impactar
Dar com a cara no chão
Ainda amo intensamente essa ilusão.



Escrito por dEsiLuSãO às 17h25
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Feliz Ano Novo!

Nunca desejei tanto uma ilusão quanto esta do ano
vindouro que traz consigo o novo, que zera tudo e que
te dá a possibilidade de recomeçar, mesmo que o dia
primeiro já te dê sinais de que não é bem assim...



Escrito por dEsiLuSãO às 13h32
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Coisa do Diabo é o Amor.

Quando Deus criou as entidades do indecifrável sexo,
disse-lhes para amá-lo acima de tudo e que só para ele
deveriam se curvar, em sinal de respeito e adoração.

Mas a divindade suprema criou os homens e
hierarquicamente os colocou acima das entidades
aladas, os anjos, ordenando que estes se curvassem
para nós, reles mortais.

Iblis não aceitou, isso era inconcebível, todo o seu amor
pertencia a Deus e só para ele poderia se curvar,
adorar e servir...

Irado, Deus o enviou para bem longe Dele, para o
inferno, onde ficaria para todo o sempre!

Ironicamente, Iblis só consegue suportar a dor do inferno pela lembrança suscitada pelo ecoar das últimas e ácidas palavras divinas: "Vá para o inferno!"...

Logo, é o inferno, a impossibilidade absoluta, a ausência completa de quem se ama, verdadeiramente.



Escrito por dEsiLuSãO às 18h14
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Estranho!

O presente por vezes se converte numa espécie de
ditadura: Elimina o passado e subjuga o futuro ao
presente que esquece o passado. Heráclito diria ser
isso "natural", afinal nem nós e nem mesmo o rio que
acabamos de atravessar são mais os mesmos.


 



Escrito por dEsiLuSãO às 14h14
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Crisálida

Parece que todos os caminhos me levam para bem longe
do mundo das virtualidades, para longe deste meu
compasso... e o meu instinto é o de resignação, pois
chega um tempo em que a gente descobre(nem sempre da
maneira mais doce) que existem coisas que escapam às
nossas deliberações, vontades e desejos.

Ando meio lagarta a esperar o momento mágico de romper
o casulo que me prende ao mesmo tempo que transforma a
minha outra forma numa nova e alada forma de borboleta
a caçar flores, cheiros e belezas... sinto que está
próximo!

Enquanto não bato asas, em definitivo, me debruço
sobre algumas questões filosóficas que andam a me
instigar a existência... Uma delas é se
primordialmente o amor deve de adaptar às coisas ou se
as coisas devem tentar se adaptar ao amor, que é
etéreo, raro.

Provavelmente não obterei uma resposta com validade
geral, mas suspeito que a fragilidade e a importância
do amor nas nossas vidas não deveria perecer frente as
nossas idiossincráticas maneiras de interação com o
mundo real.

Mais uma lição para a lagarta.



Escrito por dEsiLuSãO às 18h18
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